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Bancos
apostam no celular para diminuir fluxo de dinheiro e de
cheque
Banco do Brasil, ABN Amro e Bradesco finalizam testes
práticos e expandem ofertas de serviços
de pagamentos no celular
Diante da oportunidade de ampliar a carteira de serviços
aos correntistas e incentivar o uso do meio eletrônico
em substituição ao cheque ou dinheiro para
transações de baixo valor, os bancos brasileiros
abriram os olhos para o pagamento pelo celular e estão
colocando serviços em prática.
O HSBC Bank Brasil saiu na frente aliando-se à
empresa M-Cash para lançar, em
outubro de 2006, uma plataforma independente de pagamentos
pelo celular, inicialmente voltada ao e-commerce, a seus
4 milhões de clientes pessoa física.
Com 20 lojas online cadastradas, 7 mil usuários
e uma média de 500 transações por
mês, o M-Cash agora parte para
o varejo tradicional. “Até o final de março
vamos fechar o acordo com um grande varejista”,
adianta Arno Brandes, executivo sênior da área
de e-business do HSBC.
Após um teste de conceito realizado internamente
com lojas da LivrariaCultura, em São Paulo, no
final do ano passado, a expansão do pagamento móvel
no varejo físico deve começar em 100 lojas
nas próximas semanas. A informação
vem da própria M-Cash, que tem
como principais acionistas a Megadata e a Albatroz Participações,
e por enquanto é parceira exclusiva do HSBC.
Uma das vantagens da aliança com o M-Cash,
segundo Brandes, é a independência de operadoras
e da formulação de um modelo de negócios
mais complexo.
“Com o serviço SMS, esbarrávamos no
fato de não termos a garantia de entrega da mensagem,
bem como na dificuldade de formular um modelo de cobrança”,
argumenta o executivo.
Para acessar o serviço, o correntista deve cadastrar
seu número de celular junto a uma central de atendimento
do HSBC. No momento de fechar sua compra online, o usuário
seleciona a forma de pagamento M-Cash
e informa o número de seu celular.
Ao receber a informação do internauta, o
lojista envia a solicitação ao sistema M-Cash
informando os dados da loja, o valor da compra e o número
do celular. Em seguida, o M-Cash faz
uma ligação direta ao celular do cliente,
que digita uma senha exclusiva para o serviço e
confirma a compra.
O valor é enviado ao HSBC como uma solicitação
de transferência da conta do correntista para a
conta do lojista. E finalmente o usuário recebe
uma mensagem de confirmação do débito
em conta, sem cobrança adicional pela transação.
A solução atualmente baseada apenas em débito
tende a se expandir para o modelo de crédito. “Estamos
olhando para todas as administradoras de cartões”,
diz o executivo, que ainda não sinaliza uma parceria
concreta neste segmento.
Redução do papel
Com a premissa de reduzir o uso do dinheiro em papel ou
cheque em micropagamentos, em abril, o Banco do Brasil
inicia um projeto piloto de pagamentos de delivery pelo
celular em parceria com a VisaNet. Segundo Raul Moreira,
gerente executivo de banco eletrônico do Banco do
Brasil, a idéia é lançar o serviço
em junho aos correntistas.
“A princípio serão 3 mil estabelecimentos
conveniados em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto
Alegre, no Distrito Federal e em Minas Gerais e depois
vamos ganhar escala”, informa Moreira.
Além da conveniência a vantagem do pagamento
móvel é preservar informações
financeiras do usuário. “A pessoa pede sua
pizza e só informa o número do celular,
não precisa dizer a terceiros o código de
segurança de seu cartão”, ressalta.
Como negócio para o banco, o pagamento móvel
permite a entrada no segmento de pagamentos não
presenciais, onde o uso do dinheiro eletrônico não
é uma regra. “Hoje, a não ser que
o entregador tenha um terminal móvel de POS, você
tem de pagar seu pedido em papel [cheque, dinheiro ou
vouchers de refeições].”
E por que não partir para uma plataforma idependente?
A resposta do banco, que há anos observa o mercado
de telefonia móvel, e foi o primeiro a integrar
seu mobile banking a todas as operadoras do País,
é escala.
“Acho que o pagamento móvel envolve muito
mais a questão de acordar modelos de negócios
do que integração tecnológica. Este
modelo é discutido há muito tempo. Mas todos
os testados não podiam ser massificados porque
faltava integração com as bandeiras de cartão
de credito. Tudo morria em função de escala.”
Espelhados na estratégia de pagamentos móveis
presenciais da operadora NTTDoCoMo, os executivos do BB
também avaliam modelos de pagamento pelo celular
em compras presenciais. “Vamos apostar no conceito
‘push and pay’ no varejo”, afirma Moreira.
Em relação à cobrança pelo
serviço, o executivo estima que o valor varie de
15 a 50 centavos por transação, dependendo
da operadora. “O valor chega a ser barato diante
da usabilidade do serviço”, avalia.
Atualmente, o BB busca operadoras de telefonia móvel
para fechar o ciclo do negócio. A Brasil Telecom,
que já é parceira do banco em uma linha
de crédito e débito com a marca da operadora,
é uma potencial candidata a iniciar a parceria.
Táxi e pão de queijo
ABN Amro e Bradesco também se aliaram à
VisaNet em testes com pagamentos de corridas de táxi
e de pagamentos presenciais junto a pequenos varejistas.
Em novembro do ano passado, o ABN iniciou um teste de
pagamento de corridas de táxi com 12 veículos
que atendem os funcionários, na Rua Itapeva, na
zona central de São Paulo, ao lado do edifício-sede
do banco.“
Foram distribuídos celulares da TIM aos taxistas
pré-configurados com uma aplicação
de pagamento móvel desenvolvida em parceria com
a M-Pay”, conta Maria Regina Botter, superintendente
de produtos de cartões do banco.
Para acessar o sistema, o funcionário se cadastra
em uma área dedicada do site do ANB e escolhe um
código secreto para o pagamento móvel. Ao
final da corrida, o taxista digita o valor da transação
em um terminal, o cliente liga para um determinado número
cadastrado do serviço e cai em uma central de atendimento
automático (URA).
Ao comando da central, o passageiro digita o código
secreto e depois aproxima o celular do terminal do taxista.
“No lugar do SMS, os aparelhos trocam ondas sonoras
que identificam que o celular do passageiro está
vinculado a determinado cartão de crédito
do cliente e por fim o valor é lançado na
fatura do cartão”, explica Botter.
Paralelamente ao teste com os taxistas, o ABN mantém
um piloto de pagamento móvel em nove estabelecimentos
comerciais que atuam nos arredores e dentro da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Desde o início de novembro, os universitários
que são correntistas do banco podem se cadastrar
na internet e usar o celular para comprar um lanche dentro
da faculdade, na Casa do Pão de Queijo ou na lanchonete
VIP, pagar o almoço no restaurante Kiloliba, ou
as cópias dos livros na papelaria Sucopi, em frente
à PUC.
Os lojistas envolvidos receberam do banco um aparelho
celular da TIM com um software criado pelo ABN em conjunto
com a Spring Wireless especificamente para o teste.
Ao fechar a transação, o cliente recebe
um código de autorização randômico
que é digitado no aparelho do lojista junto com
a senha do serviço, para autorizar o pagamento.
Terminada a transação, o cliente recebe
uma mensagem de texto informando valor, nome do estabelecimento,
data e hora da compra.
Como foi implantado no final do ano, período de
férias escolares, o piloto foi adotado por 500
correntistas, mas a idéia é acelerar as
adesões divulgando o produto no campus por meio
de promotoras de vendas.
Tanto o pagamento de corridas de táxi como o de
bens de consumo do ABN ainda estão na fase de ‘provas
de conceito’ sem previsão de aplicação
em larga escala. “Estamos conhecendo o comportamento
do sistema e analisando diferentes tecnologias para identificar
a mais adequada antes de colocar o sistema em prática”,
afirma Botter. O estágio, segundo ela, termina
em junho deste ano.
Crédito em alta
A experiência positiva com a venda de créditos
para celulares pré-pagos Visa e Claro pelo celular
a seus correntistas, incentivou o Bradesco a iniciar testes
de pagamentos móveis junto a uma frota de 150 táxis
que atendem os funcionários do banco, em São
Paulo.
Na prática, a aplicação que também
tem a VisaNet como parceira, difere da usada pelo ABN.
Os taxistas receberam celulares da Claro com uma aplicação
baseada em WAP 2.0.
No momento de fechar a corrida, o motorista acessa a aplicação
e digita o número do cartão do passageiro,
o código de segurança e o valor da transação.
O pagamento é verificado pela Visa, que envia uma
confirmação via texto ao celular do motorista.
“Pautamos o mobile banking na recarga pelo celular
e já registramos 500 mil usuários desde
o lançamento do serviço, em dezembro do
ano passado”, ilustra Marcos Bader, diretor departamental
do Bradesco. “Pelo crescimento que observamos do
ponto de vista da adesão, esse é um processo
explosivo”, prevê.
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