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Aberto para pagamentos
Afinal, o sistema de
compras via celular
é parceiro ou rival das empresas de cartão?
Se um cartão de débito pudesse enxergar
seu reflexo no espelho, ficaria espantado ao ver um telefone
celular à sua imagem e semelhança. O susto
maior, porém, viria ao vislumbrar o novo modelo
de negócio no ramo de meios eletrônicos de
pagamento, que ameaça deixar de fora alguns dos
medalhões do setor. O modelo internacional de pagamentos
via celular é baseado na participação
das operadoras de telefonia e das bandeiras de cartão,
como MasterCard e Visa. No Brasil, porém, a reprodução
dessa fórmula tem se mostrado problemática
por uma série de motivos. A começar pela
tecnologia ultrapassada da maioria dos aparelhos, que
não possibilita a adoção dos padrões
de segurança exigidos pelas bandeiras. Além
disso, 80% dos números aqui são pré-pagos,
indicativo de que dificilmente esse cliente aceitará
pagar para fazer transações pelo celular.
A oportunidade estava aberta a quem criasse uma tecnologia
alternativa, capaz de fazer do celular um cartão
adaptado às necessidades do mercado brasileiro.
Aparentemente, a Megadata, unidade do Grupo Ibope, está
chegando bem perto disso. Há três anos, ela
projetou uma plataforma de pagamentos eletrônicos
chamada m-cash. O negócio tornou-se tão
promissor que, da prestação de serviço
inicialmente criada, se formou uma empresa. “É
um negócio com grande potencial de crescimento.
E rápido”, afirma Gastão Mattos, presidente
da M-Cash, que hoje é uma companhia.
Gastão Mattos, presidente da M-Cash:
"Sou um peixe estranho nessemercado ainda não
caracterizado".
O espaço que a M-Cash ocupará
não está bem determinado. Ela reúne
algumas características das empresas de cartões
e, em certa medida, disputa o mesmo mercado. Pode fazer
o credenciamento e o relacionamento com os estabelecimentos
do varejo, como fazem Visanet e Redecard. E pode atuar
como bandeira, como American Express, Visa ou MasterCard.
No comércio eletrônico, primeiro mercado
explorado pela empresa, estará lado a lado com
essas grandes bandeiras. “Sou um peixe estranho
nesse mar. Um peixe novo, ainda não caracterizado”,
admite Mattos. O executivo refere-se à M-Cash
como autenticadora, nomenclatura não utilizada,
até então, por ninguém do ramo. É
uma pista sobre o espaço que a empresa quer ocupar,
sem entrar (inicialmente) em grandes confrontos. De acordo
com Nilton Volpi, consultor da Profit Technologies, aliada
à facilidade de realizar operações
móveis, há a necessidade da autenticação
do cliente para garantir a segurança dos pagamentos
via celular. Justo o que a M-Cash se
propõe a fazer.
Mattos não descarta parcerias com as empresas do
segmento. Compras podem ser realizadas através
das redes Visanet e Redecard e confirmadas pelo telefone
celular. “Nesse caso, eu viraria uma processadora
de transações e faria a autenticação”,
detalha o executivo. Em princípio, a M-Cash
é flexível o bastante para substituir todos
os elos da cadeia de pagamentos eletrônicos, precisando
apenas de um banco na retaguarda. O primeiro acordo da
empresa, com o HSBC, explicita esse cenário. Basta
ao cliente cadastrar o número do celular no banco,
escolher o site de comércio eletrônico e
usar seu aparelho para confirmar a transação.
O valor é debitado da conta corrente. Segundo Mattos,
outra possibilidade de negócio com os bancos é
a autenticação de transações
do internet banking, como transferências e aplicações,
via celular.
Executivos familiarizados com a empresa acreditam que
o espaço que a M-Cash procura
vai além das transações via celular.
A chave pode estar na quebra do duopólio da captura
de transações detido por Visanet e Redecard.
Os olhos de Mattos brilham quando questionado sobre outros
mercados a explorar. Cartões de bandeira própria
de varejistas e apólices virtuais de seguro-saúde
estão nos planos de curto e médio prazos.
Segundo o executivo, não há restrição
na plataforma da M-Cash para propor negócios
a pequenos e médios varejistas, que reclamam dos
custos das grandes bandeiras.
veículo: IstoÉ
Dinheiro
data:22/11/06
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