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Digite sua senha,
por favor
Aquela história de que não
devemos fornecer senha pelo telefone está mudando. Com
o novo sistema de pagamento pelo celular, o usuário fornece
o número do telefone, recebe uma ligação sobre a compra
e digita uma senha para finalizar a transação. Esse produto
desenvolvido pela M-Cash não tem nenhuma restrição quanto
às opções de plano e operadora. Qualquer um que tenha
um celular, pré ou pós, poderá fazer compras com essa
forma de pagamento.
Até o momento, as compras podem ser feitas somente em
duas lojas de comércio eletrônico: a Americanas.com e
a Sack’s. Além disso, o sistema é oferecido, por enquanto,
aos clientes do HSBC no Brasil. Porém, o presidente da
M-Cash, Gastão Mattos, que assumiu o cargo dia 1º de agosto,
considera esse um passo inicial e estima, em um horizonte
de três anos, poder capturar transações, crédito ou débito,
da ordem de R$ 3,5 bilhões. “A receita é uma fração disso,
com uma taxa de desconto. Mas é um número expressivo,
sim. Isso quer dizer que poderíamos chegar, daqui a uns
três anos, a 3% da captura eletrônica.” Um dos motivos
para o possível futuro sucesso desse sistema é o número
de celulares atualmente no Brasil, mais de 93 milhões,
segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O presidente da M-Cash garante que o processo é seguro,
fator que sempre causa preocupação quando se fala em transferência
eletrônica. A justificativa para essa segurança é a necessidade
de confirmação da transação após a digitação da senha.
Basicamente, o sistema funciona assim: o comprador fornece
o número do seu celular à loja (por enquanto apenas pela
internet), após definir os produtos que vai comprar. Em
seguida, ele recebe uma ligação com os dados da compra.
Se todas as informações estiverem corretas, o cliente
digita a senha previamente cadastrada no banco, que a
reconhece e autoriza a operação em tempo real. A senha
não fica gravada no telefone, impedindo a visualização
por terceiros.
Como o processo ainda está começando, a M-Cash utiliza
apenas a modalidade débito. No entanto, de acordo com
Mattos, “a plataforma serve também para as transações
de crédito”, que deverão ser disponibilizadas em breve.
Mattos espera um volume de 20 milhões de transações para
2007 e de 120 milhões para 2010, prevendo que cerca de
10 bancos trabalhem com a M-Cash até lá. Outra projeção
da empresa é que as lojas responsáveis por 90% das compras
pela internet já tenham aderido ao novo meio de pagamento
em 2007.
Mesmo assim, Mattos não considera que esse sistema seja
conflitante com os cartões de débito e crédito e afirma
já ter conversado com algumas bandeiras e adquirentes.
Ele explica que “dependendo da funcionalidade, ele pode
ser um valor agregado para a própria bandeira. Dependendo
do negócio, a bandeira já não entraria”. Segundo ele,
“esse modelo concreto que está com o HSBC entra em um
nicho que não compete com nenhuma bandeira”.
Para que tudo isso fosse possível, houve um investimento
inicial, por parte dos acionistas da M-Cash, de R$ 10
milhões para o desenvolvimento do projeto. Uma delas é
a Albatroz Participações, holding com foco na área de
tecnologia da informação, fundada em 2002 com sede no
Rio de Janeiro. A outra, é a Megadata, do Grupo Ibope,
em atividade desde 1982, responsável pela infra-estrutura
técnica da M-Cash. “Ela identificou qual o tipo de produto
poderia ser interessante para o Brasil, definiu esse produto
e foi buscar a tecnologia fora do país.”, detalha Mattos.
Um provedor específico em Israel desenvolveu o M-Cash,
“não com esse nome, que é local”. Gastão Mattos acompanha
o trabalho da empresa há um ano, quando começou a fazer
consultoria, e acabou por aceitar o cargo de presidente.
veículo:
Cardnews
data:28/09/06
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