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Celular já virou cartão de pagamento


Iniciativas do HSBC e da Visanet inauguram era das transações por aparelhos móveisO Brasil começa a participar da tendência mundial das compras em que o telefone celular funciona como uma espécie de cartão eletrônico (de débito ou crédito), uma modalidade chamada m-payment ou mobile payment. No País, modelos alternativos de negócios são testados, com a expectativa da tecnologia atingir os 10% de todas as transações por meios eletrônicos em pouco mais de um ano e meio, segundo estimativa da empresa de software para o segmento M-Cash.

O primeiro banco a entrar no negócio foi o HSBC, que está em fase final de projeto-piloto e a partir de outubro começará a divulgação do serviço para todos seus correntistas. Logo, mesmo pessoas sem conta no banco poderão receber o serviço, por meio de cadastramento no Losango, o braço de crédito popular do Grupo HSBC no País. Durante o piloto, realizado há um mês e meio, 800 transações já foram feitas e 3 mil pessoas estão cadastradas. "Não esperava uma repercussão tão grande. Mais de 10% dos funcionários começaram a usar", diz o diretor do projeto no HSBC, Arno Brandes. No primeiro momento, o banco só tem acordo para transações com empresas de comércio eletrônico, cujo tíquete médio é superior a R$ 300. "Mas temos um mapa de evolução. Por ser um produto novo daremos um passo de cada vez", afirma Brandes. Atingir redes varejistas deve ser uma das próximas etapas.

A Visanet já instituiu o celular como alternativa ao seu cartão de alimentação Visa Vale. O cliente, que se cadastra no site do Visa Vale, pode pagar a entrega de refeições ao dar o número de seu celular, sem a necessidade de o entregador levar um terminal sem fio de transação de cartões. Depois, recebe uma mensagem curta de texto (SMS) com a confirmação do pagamento, para efetivar a compra do produto ou serviço.

Por ser um conceito novo, o m-payment ainda é confundido no Brasil com o m-banking (banco por dispositivo móvel), que consiste em levar o auto-atendimento bancário ao celular, como um internet banking, mas por meio dos dispositivos móveis. O presidente da M-Cash, que faz parte do Grupo Ibope, Gastão Mattos diferencia as duas tendências. "As duas tecnologias são independentes uma da outra pois suas finalidades são distintas. O m-payment tem como objetivo ser um novo meio para transação comercial. O m-banking faz parte de estratégia de corte de custos dos bancos [com automação]", diz.

O HSBC escolheu o sistema da M-Cash, cujo processo, ainda inédito no mundo, leva cerca de 25 segundos para completar a transação. O comprador passa o número do seu celular ao estabelecimento comercial, que inicia a transação. Imediatamente o usuário recebe uma ligação automatizada no número divulgado, de uma URA (unidade de resposta audível) da M-Cash, pedindo a confirmação da senha.

Com esse sistema, uma empresa basicamente de criação de plataforma de software, como a M-Cash - nascida do interesse do Ibope em encontrar um mercado potencial para o futuro, contando com uma plataforma desenvolvida em Israel -, passa a integrar o negócio de meio de pagamentos. Segundo o presidente da empresa, o modelo de negócios como dona do software que hoje é utilizado pelo HSBC e que está em negociação com outras instituições é similar ao das bandeiras de cartões. Ao contrário do comum no mercado de software, não são cobradas licenças de uso do programa, mas um percentual por transação realizada pelo sistema. "As lojas não gostam de comprar TI, então oferecemos como serviço, livre de custo fixo, como a Visa faz com suas máquinas de cartão, por exemplo", explica.

O executivo diz que em uma estimativa conservadora o sistema M-Cash alcançará 3% do total de transações eletrônicas realizadas no País em três anos. "Isso deve significar circulação de R$ 3,5 bilhões, porque neste ano elas devem movimentar ao todo R$ 100 bilhões e devem ter crescimento vegetativo, não mais exponencial", prevê. Para isso, o mercado conta com adoção ágil pela população brasileira, muito mais veloz que levou o cartão de débito. A seu favor há o atual uso massivo de cartões eletrônicos e a base de usuários de celular, com mais de 90 milhões de aparelhos.


veículo:Gazeta Mercantil     
data:25/09/06


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