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As novas "moedas"
estão na mira do BC
O Banco Central (BC) está
de olho na proliferação dos novos meios
de pagamento no Brasil. Depois dos cartões de loja
(private label), a fronteira é o celular. O BC
não vai remar contra a maré. Mas quer saber
quanto movimentam esses meios de pagamento.
"Há mais brasileiro com celular do
que com conta em banco. O celular será o instrumento
preferencial para os pequenos pagamentos", disse
o chefe do Departamento de Operações Bancárias
e de Sistemas de Pagamentos (Deban) do BC, José
Antônio Marciano. De fato, estatísticas de
maio informam que existem 92,4 milhões de celulares
no país, enquanto o número de clientes com
contas bancárias equivale a metade desse total.
Os bancos se deram conta disso. "Até um sorveteiro
em um parque tem um celular na mão e pode usá-lo
para receber o pagamento", disse Arno Brandes, executivo
sênior de novas tecnologias do HSBC, que acaba de
desenvolver um sistema para tirar proveito dessa facilidade.
Chamado M-Ca$h, o sistema usa o celular
para realizar a transferência do pagamento do cliente
para o vendedor. Basta o cliente cadastrar o celular em
sua conta e criar uma senha. Ao fazer uma compra, o cliente
avisa a central, que retorna a ligação e
pede a senha para confirmar a transferência do dinheiro
para a conta do vendedor. Brandes calcula que o processo
demore de 30 a 40 segundos
O executivo afirmou que o M-Ca$h é
uma alternativa complementar e não competitiva
ao cartão, dinheiro e cheque. "A idéia
não é substituir mas sim complementar. Mas,
acredito que o sistema pode revolucionar o mercado",
disse.
O M-Ca$h está em fase piloto.
Em dez dias, recebeu 2 mil adesões e foi usado
em 200 compras. Nessa fase, estão cadastradas apenas
empresas de varejo pela internet. Mas o universo será
ampliado e um primeiro caminho é o de empresas
que já usam muito o telefone para operar, como
companhias aéreas.
Em outros países, o celular com chip caminha para
substituir o cartão de crédito ou débito.
Estimativas da Visa mostram que os meios de pagamento
sem contato (incluindo o celular) têm potencial
para US$ 1,3 trilhão, como "moeda" preferencial
para cinemas, postos de gasolina e lojas de conveniência.
A Visa testa o pagamento por proximidades via celular
na Malásia, Índia e Japão. Em Atlanta,
nos Estados Unidos, o celular já é usado
na compra de ingressos para o principal estádio
local. A experiência mais avançada é
a da Coréia, onde há 3 milhões de
celulares que podem ser usados para pagamentos.
No Brasil, falta apenas os bancos manifestarem interesse
para que a Visa comece a fazer testes com os celulares,
disse ao Valor a vice-presidente de integração
de produto e tecnologia da Visa International, Stephanie
Ericksen. "A tecnologia já existe", disse.
O meio de pagamento sem contato reduz em 25% o tempo da
transação, para cerca de 4 segundos.
A Visa Vale, empresa de cartões de benefícios
que tem entre seus controladores a Visa International,
tem um projeto que vai permitir ao cliente pagar por celular.
Segundo o presidente da empresa, Newton Neiva, o projeto
deve ficar pronto no segundo semestre e permitirá
ao cliente pedir uma pizza em casa e pagar com o celular.
A Wappa Benefícios, criada em 2005, já permite
o uso do celular da rede Vivo para pagamento de refeições
na rede conveniada, segundo o Valor Online. A Tim e a
Claro devem ser as próximas.
O Banco do Brasil (BB) preferiu transformar o celular
em um banco móvel. Pelo aparelho, é possível
fazer todas as transações bancárias
(transferências, aplicações e consultas
de saldos). Um total de 400 mil clientes já usam
o celular como banco, fazendo em média 1,3 milhão
de transações por mês, informou o
Manoel Gimenes Ruy, vice-presidente de tecnologia e logística.
Laércio Albino Cezar, diretor de tecnologia da
informação do Bradesco, vê com certa
cautela o uso do celular como banco. Ele avalia que é
preciso maior aculturamento dos clientes e melhor segurança
em relação a fraudes. "Será
a terceira geração na relação
entre os clientes e bancos, mas ainda vai demorar algum
tempo", afirma. "A tendência
é de que todos os serviços bancários
convirjam para o celular", concordou Clarice Coppetti,
responsável pela área de tecnologia da informação
da Caixa Econômica Federal.
Há ainda o grande mundo dos cartões de loja,
usados muitas vezes como moeda sem a interferência
de nenhum banco. Segundo a Associação Brasileira
das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços
(Abecs), os cartões private label somavam 103 milhões
em maio, 29% do total de cartões existentes no
mercado.
Para o BC, os novos meios eletrônicos de pagamento
melhoram a eficiência do sistema financeira, mas
precisam ser monitorados. Uma administradora regional
de cartões convenceu várias empresas a entregarem
cartões de vale-salário aos empregados todo
dia 20. Com o cartão, os funcionários podem
fazer compras em lojas conveniadas, que aceitam receber
o pagamento no dia 10. Como os empregados recebem dia
30 ou dia 5, a empresa ganha o floating do dinheiro por
esse prazo - sem ser um banco.
veículo: Valor Econômico
data:03/07/06
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