<<
voltar
Inflação prejudica os resultados
Carteiras perdem do CDI e da Selic na renda fixa, mas
superam meta atuarial As fundações tiveram
problemas com a renda fixa no primeiro semestre. Dois
estudos - uma da Mercer investment consulting e outro
da Towers Perrin e da NetQuant - mostram que a grande
maioria das fundações não superou
o Certificado de Depósito Bancário (CDI)
ou a Selic, principais referenciais das carteiras na renda
fixa. Um dos culpados foram os papeisindexados à
inflação (como IGP-M e o IPCA), que com
a queda dos índices tiveram desempenho ruim.
Pela pesquisa da Mercer, que será divulgada
hoje, a rentabilidade média das carteiras na
renda fixa foi de 8,6%, frente a 8,93% do CDI e a 8,95%
da Selic. Apenas 27,1% das carteiras analisadas superaram
os referenciais. "A estratégia dos gestores
de usarem os papéis em IGP-M para superar o benchmark
não trouxe bons resultados", diz Thyrso
Pizzoferrato, responsável pela área de
consultoria de investimentos da Mercer. Entre os clientes
da consultoria, 28 fundos de pensão usam o CDI
como referencial e outros 20 usam a Selic.
Na pesquisa da Towers Perrin e da NetQuant (que faz
gestão de risco), os rendimentos na renda fixa
variaram de 8,5% a 8,9%. Das 70 carteiras analisadas,
só duas superaram o CDI. Marcelo Nazareth, presidente
da NetQuant, também destaca que o IGP-M em queda
atrapalhou a rentabilidade das fundações,
mas ele acha que o problema maior é o próprio
CDI. "Não é um referencial adequado.
Ou todo mundo supera o CDI ou ninguém supera.
Precisamos de um referencial que funcione o tempo todo",
diz. No primeiro semestre, segundo Nazareth, não
havia ativos no mercado capazes de garantir que o fundo
batesse o CDI.
O desempenho dos papéis atrelados à inflação,
que deram muitas alegrias aos fundos de pensão
em 2003 e 2004, não ajudaram neste primeiro semestre.
"Com a abertura das taxas, em função
da desaceleração dos índices de
inflação, os fundos que marcam papéis
a mercado sofreram", explicou Jair Ribeiro, gerente
de risco da Eletros, fundo de pensão da Eletrobrás.
No entanto, como os fundos não comparam sua
rentabilidade média com o CDI, mas sim com a
meta atuarial - medida por um determinado índice
de inflação (entre eles, IGP-DI ou INPC
mais 6% ao ano) -, o desempenho frente a este parâmetro
foi melhor.
O estudo da Mercer mostra, de fato, que no quesito
meta atuarial os fundos superaram com folga. A rentabilidade
média da carteira total foi de 7,55%, bem acima
dos 4,53% (IGP-DI mais 6%) ou 6,33% (INPC mais 6%).
Na Eletros, o plano mais novo (de contribuição
definida) apresentou rentabilidade de 9% no primeiro
semestre, acima do CDI. Já o plano mais antigo
(benefício definido), teve ganho de 7%, abaixo
do CDI. "Nos planos de contribuição
definida, devido ao seu perfil, há uma carteira
menor de títulos atrelatos à inflação
mais longos", explica Ribeiro. Para o segundo semestre,
no entanto, ele prevê um desempenho geral melhor.
"Estamos estimando um juro real bem alto neste
semestre, pois a inflação está
bem mais baixa e a Selic ainda não começou
a cair", diz.
Na Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil,
o desempenho global da carteira foi prejudicado pela
volatilidade da bolsa. O fundo do BB, ao contrário
dos demais, possui um percentual elevado da carteira
(58%) aplicado em renda variável. Sendo o diretor
de investimentos Luiz Aguiar, os ganhos da renda fixa
no primeiro semestre foram de 7,84% ante uma meta atuarial
de 6,33%. O ganho médio geral da carteira, no
entando, cai para 3,24% por conta das aplicações
em bolsa. "Mas, ainda assim, estamos com superávit
acumulado em R$ 8,2 bilhões e este ano haverá
ainda reavaliações de participações,
como a da CPFL e Neonergia, que devem elevar esta rentabilidade",
afirma Aguiar.
Na Petros, fundo de pensão dos petroleiros,
o diretor de investimentos Ricardo Malavazi explica
que, embora o fundo esteja devendo ao CDI no semestre,
ao longo dos últimos doze meses os valores são
positivos. "Em doze meses, a variação
do CDI foi de 17,6%, enquanto nossa carteira teve ganhos
de 19,9%", lembrou Malavazi. De acordo com o diretor,
no primeiro semestre a rentabilidade da Petros foi de
6,06%, enquanto a meta atuarial, atrelada ao IPCA, ficou
em 6,2%. A carteira de renda fixa, isoladamente, teve
rendimento médio de 7,5%. De acordo com Malavazi,
neste primeiro semestre a bolsa e os títulos
atrelados ao IGP-M e ao IPCA puxaram os ganhos para
baixo. "Por outro lado, justamente os fundos de
investimento em direitos creditórios (FIDCs)
registraram a maior rentabilidade da carteira, de 9,32%.
Em seguida vêm os Certificados de Recebíveis
Imobiliários, com 8,93%.
A pesquisa da Mercer mostra que os fundos tiveram desempenho
melhor da renda variável: a rentabilidade média
foi de 0,99% acima do IBX (alta de 0,30%) ou do Ibovespa
(queda de 3,8%).
Veículo: Valor Econômico
23/08/2005
<<
voltar
|